
A arte do Tae Kyon nasceu numa época em que as artes marciais se encontravam em declínio na Península Coreana não unificada. Como sucessor do Su Bak, o Tae Kyon era uma arte marcial com estilo duro e agressivo. Com o decorrer da pacificação da Península, as artes marciais passaram a ter pouco uso para o homem comum. Após a unificação dos Três Reinos, a Dinastia Silla (688 d.C. – 935 d.C.) passou a estar altamente centralizada no Budismo, privilegiando as artes mais finas (pintura, poesia, etc) e levando as artes marciais a declínio.
A arte do Yoo Sool desapareceu quase tão rápido como surgiu, e por volta do século 7 tinha já desaparecido. Assim, o Tae Kyon, arte umbilicalmente ligada ao Su Bak, foi o único sistema de luta sobrevivente.
Em 935 a Dinastia Silla caiu tendo sido deposta por um governo rebelde, que deu inicio à Dinastia Koryo (935 – 1392). Por esta época, em 1170, a família Cho encena um golpe de Estado, assumindo o controlo político do País e suprimindo os ideais Budistas presentes na sociedade.
No ano de 1231 guerreiros Mongóis invadem, por Norte, a Península Coreana. Sentindo a ameaça, a família Cho envia a maioria das suas tropas para combater os invasores. No entanto o superior número de guerreiros Mongóis facilmente supera as tropas Coreanas, e no ano de 1258, o regime Cho é deposto e o poder de novo entregue ao governo Koryo, sob batuta Mongol.
No decorrer deste período os interesses dos cidadãos passam a estar virados para as filosofias e para as artes, afastando-se das artes de combate e da política. Por todas as regiões da Coreia as artes marciais eram vistas como fonte de problemas, e assim, o Rei Chung Mok (1344 – 1348) proibiu a prática de Tae Kyon por civis.

Em 1356 dá-se uma revolta contra o domínio Mongol, o que provoca um novo período de desordem na Península Coreana. Após vários anos de guerrilhas internas a Dinastia Koryo é deposta e a Dinastia Yi (1392 – 1909), com aliança política à Dinastia Ming da China, assume o poder.
Após assumir o poder, a Dinastia Yi decide rejeitar o Budismo e adopta o Confucionismo como religião nacional. No entanto, tal medida demonstrou-se benéfica, pelo menos do ponto de vista social. Foi aplicado o sistema burocrático Confucionista, introduzindo uma estrutura social ordenada e um rápido e eficiente desenvolvimento educacional. No decorrer da governação da Dinastia Yi as interacções culturais entre a Coreia, o Japão e a China foram uma constante. As ideologias de diversas artes marciais foram aparentemente transmitidas entre países, mas apenas a um nível periférico. Também no decorrer da governação desta Dinastia surgiram na Coreia diversas escolas de Kung-fu (China) e de Karate (Japão). Mesmo influenciados pelos sistemas chinês e japonês, as técnicas de Tae Kyon eram únicas no que à defesa pessoal diz respeito.
Foi durante a Dinastia Yi que o Tae Kyon passou a ser o sistema de combate corpo-a-corpo do exército Coreano. Deste modo, a arte sobreviveu, tendo chegado à época moderna. Em 1909, a Dinastia Yi, considerada a “época da iluminação”, chega ao fim, com a ocupação militar por parte do Japão. Assim, também a evolução e transmissão do Tae Kyon é suspensa, pois as artes marciais coreanas passam a ser proibidas. No período da ocupação (1909 – 1945), cresce um enorme interesse nos sistemas de combate, que são ensinados clandestinamente e por mestres famosos.
A independência da Coreia apenas se dá em 1945, quando as forças aliadas expulsam os invasores da Península. Com a independência, cresce também um enorme sentido patriótico do povo coreano. Desde essa data nunca mais nenhum governo militar tomou posse do território.

Com o crescente desenvolvimento das forças militares coreanas, cresce também o número de artes marciais na Península. Estes sistemas eram desenvolvidos não só como meios de defesa pessoal mas também como ajuda na defesa global do País. Eram artes marciais fundadas por Coreanos que tinham sido obrigados a abandonar as suas terras ou haviam sido levados pelas forças ocupacionais Japonesas.
Após regressarem à Coreia, os fundadores destes sistemas, incorporaram nos estilos que tinham estudado além-fronteiras as técnicas do Tae Kyon. Entre estas novas artes marciais Coreanas podemos encontrar o Tang Soo Do Moo Duk Kwan, fundado por Hwang Kee, que tinha estudado Karate enquanto esteve exilado na Manchúria; Hapkido, fundado por Choi Yong-Sul em 1940, que tinha estudado Daito-ryu Aikijujutsu enquanto esteve ao serviço de um mestre Japonês, e Tae Kyon após o seu regresso à Coreia; Taekwondo, que foi criado pelo General Choi Hong Hi em 1946, que era descendente de uma família militar, tendo estudado Tae Kyon enquanto criança, e Karate enquanto militar nas forças Japonesas.
São pois, estes os três maiores e mais predominantes sistemas marciais da Coreia.
